terça-feira, 24 de novembro de 2020

No Chile, educação é cara, elitista e gera angústia nos jovens

 




CARTA CAPITAL

EDUCAÇÃO

No Chile, educação é cara, elitista e gera angústia nos jovens

Dívidas educacionais de milhões de dólares, que crescem como consequência das taxas de juros, são um dos pilares das manifestações no Chile

 5 DE NOVEMBRO DE 2019


JOVEM CHILENO BALANÇA ENORME BANDEIRA DO CHILE DURANTE PROTESTOS NA CAPITAL SANTIAGO - FOTO: CLAUDIO REYES/AFP

Com empréstimos comparáveis aos imobiliários, instituições com preços nas alturas e um sistema de dívida protegido pelo Estado, a educação no Chile acabou se tornando um eixo dos mais graves conflitos sociais dos últimos 30 anos.

“Atualmente não sei quanto devo porque, com os juros, devo mais do que o valor total original. Fui somando e somando e tive que contratar um empréstimo para pagar os juros do meu primeiro empréstimo”, conta a jornalista Paulina Gómez, de 34 anos, à AFP.

Duas semanas após o início dos protestos no país, durante uma manifestação cidadã – como tantas que acontecem nos últimos dias em Santiago – sobre a questão do endividamento estudantil, os depoimentos se sucedem e mostram o mesmo quadro: relatos de dívidas de milhões de dólares que crescem como consequência das taxas de juros que sufocam os jovens.

Aval do Estado

“No final dos anos 90, os recursos do Estado eram insuficientes para os estudos, o que gerou o endividamento”, explica Gonzalo Muñoz, especialista em educação e professor da Universidade Diego Portales.

Foi nessa época que nasceu o CAE (Crédito com Garantia do Estado), um dispositivo financeiro que se encaixa perfeitamente no modelo neoliberal instalado no Chile e que é o centro da revolta dos manifestantes.

Guillermo Jobia, um advogado de 24 anos recentemente formado, disse à AFP que pagou para estudar o equivalente a um imóvel, sendo estagiário.  “Estou com dívidas de até 20 milhões de pesos (cerca de 27 mil dólares) e acho que não vou terminar de pagar”, declara.

A maioria dos jovens chilenos trabalha durante a graduação, mas em empregos precários e mal remunerados, em um país onde o salário mínimo é de aproximadamente 420 dólares.

Gunther Birchmeier, 30 anos e que trabalha como garçom à noite e nos fins de semana, não pôde juntar os 550 dólares por mês que seus estudos custavam. “A universidade me bloqueou e eu não pude continuar estudando”, lamenta.

Ele pagou os empréstimos que recebeu cinco anos atrás, mas ainda restam outros. “O problema são os juros porque uma coisa é o que eles emprestam e a outra são os juros. “Me emprestaram 10 milhões de pesos (cerca de 13 mil dólares) e estou pagando uns 20 milhões, 100% a mais”, calcula.

Empregado em uma empresa de segurança cibernética, Gunther economiza tudo o que pode. “Estou de mãos marradas. Se eu for demitido, não vou ter como pagar”.

Angústia

Para Paulina, a agência responsável pela cobrança de dívidas “assedia” os alunos com cartas e telefonemas, inclusive em seu local de trabalho. “Atualmente não pago porque não tenho liquidez e, se pagasse, teria que pagar apenas os juros, que são mais ou menos 5 milhões de pesos” (cerca de 6.700 dólares).

“Os políticos desse país têm de nos dar uma solução definitiva para acabar com essa angústia, porque é angustiante ter que se privar de outras coisas para pagar os estudos, uma coisa que nunca acaba.”

Hoje, Paulina está preocupada com os estudos do seu filho de 10 anos. “No Chile, a educação pública é horrível: 40 alunos por turma com apenas um professor. Vamos apertar o cinto para que eles possam ir para uma escola particular…”.

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Reforma educacional no Chile

A educação no Chile é como um tema que reaparece em todos os movimentos sociais desde o final da ditadura, em 1990, como aconteceu em 2006 com a “rebelião dos pinguins”, assim chamada por conta da gravata azul e camisa branca do uniforme do ensino médio.

“Os mais jovens terão outras condições”, pensa Muñoz. “Essas dificuldades afetam aqueles que terminaram seus estudos nos últimos 15 anos. O sistema de Bachelet mudou as coisas”.

Em 2015, durante seu segundo mandato presidencial (2014-2018), Michelle Bachelet permitiu que jovens (60% mais carentes) acessassem gratuitamente os estudos universitários. Uma lei também acabou com um sistema de seleção impossível de entrar nas escolas públicas


https://www.cartacapital.com.br/educacao/no-chile-educacao-e-cara-elitista-e-gera-angustia-os-jovens/

terça-feira, 10 de novembro de 2020

OCDE define aplicação do Pisa para 2022

Como reflexo das dificuldades enfrentadas em função da pandemia de COVID-19, os países-membros e associados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) decidiram adiar a aplicação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2021 para 2022 e do Pisa 2024 para 2025. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é o órgão responsável pelo planejamento e a operacionalização da avaliação no Brasil. Normalmente, os testes são aplicados a cada três anos. 

O Pisa avalia três domínios – leitura, matemática e ciências – em todas as edições. A cada edição, é avaliado um domínio principal, o que significa que os estudantes respondem a um maior número de itens dessa área do conhecimento. O Pisa 2022 se concentrará em matemática, com um teste adicional de Letramento Financeiro, realizado desde 2015, e um teste inédito de Pensamento Criativo. Os preparativos para a avaliação estão em andamento em todos os países participantes. Já o Pisa 2025 se concentrará em ciências e irá incluir uma nova avaliação de língua estrangeira. 

Os resultados do Pisa permitem que cada país avalie os conhecimentos e as habilidades dos seus estudantes em comparação com outros países, aprenda com as políticas e práticas aplicadas em outros lugares, bem como formule suas políticas e programas educacionais, visando melhorias na qualidade e na equidade dos resultados de aprendizagem.

Pisa – É um estudo comparativo internacional, realizado a cada três anos pela OCDE. O Pisa oferece informações sobre o desempenho dos estudantes na faixa etária dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países. Desde sua primeira edição, em 2000, o número de países e economias participantes tem aumentado a cada ciclo. Na última edição, em 2018, as provas e questionários foram aplicados em mais de 80 países. Há uma coordenação nacional em cada país participante. O Brasil participa do Pisa desde o início da avaliação.

http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/ocde-define-aplicacao-do-pisa-para-2022/21206

5 fatos que ajudam a entender o desempenho do Brasil no PISA POR NATÁLIA PASSAFARO

O Brasil teve uma leve melhora nas pontuações de leitura, matemática e ciências no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Os resultados da avaliação foram divulgados nesta terça-feira, 3, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

PISA 2018 foi aplicado em 79 países e regiões a 600 mil estudantes de 15 anos. No Brasil, cerca de 10,7 mil estudantes de 638 escolas fizeram as provas. O país obteve, em média, 413 pontos em leitura, 384 pontos em matemática e 404 pontos em ciências. Na última avaliação, aplicada em 2015, o Brasil obteve, 407 em leitura, 377 em matemática  e 401 em ciências.

As pontuações obtidas pelos estudantes colocam no nível 2 em leitura, no nível 1 em matemática e também no nível 1 em ciências, em uma escala que vai até 6. Pelos critérios da OCDE, o nível 2 é considerado o mínimo adequado. Ao todo, quase metade, 43,2% dos brasileiros ficaram abaixo do nível 2 nas três disciplinas avaliadas. Na outra ponta, apenas 2,5% ficaram nos níveis 5 e 6 em pelo menos uma das disciplinas.

“No Brasil, o desempenho médio em matemática melhorou entre 2003 e 2018, mas a maior parte dessa melhora aconteceu nos ciclos iniciais. Depois de 2009, em matemática, assim como em leitura e em ciências, o desempenho médio para flutuar ao redor de uma tendência de estagnação”, avaliou a OCDE.

O Brasil ficou abaixo das médias dos países da OCDE. Em leitura, os 37 países membros do grupo, composto por exemplo, por Canadá, Finlândia, Japão e Chile, obtiveram 487 pontos em leitura, 489, em matemática e 489, em ciências. Como na avaliação 35 pontos equivalem a um ano de estudos, o os brasileiros estão a pouco mais de dois anos atrás desses países.  Na OCDE, 15,7% dos estudantes estão nos níveis 5 e 6 em pelo menos uma disciplina e 13,4% estão abaixo no nível 2.

Leia+Qual o desempenho do Brasil no PISA 2018

O desempenho na avaliação posicionou o Brasil no 57ª lugar entre os 77 países e regiões com notas disponíveis em leitura, na 70ª posição em matemática e na 64º posição em ciências, junto com Peru e Argentina, em um ranking com 78 países. China e Singapura lideram os rankings das três disciplinas. O Brasil, nos três fica atrás de países latino americanos como Costa Rica, Chile e México. Supera, no entanto, Colômbia e Peru em leitura e a Argentina em leitura e matemática.

O Centro de Referências em Educação Integral elencou os principais resultados e conteúdos que podem ajudar a compreendê-los:

  1. Sobre a avaliação

“O caráter internacional do exame é fortemente questionado. Como conceber uma avaliação justa, que contemple as especificidades de contextos tão distintos quanto os de Brasil, China, Finlândia, Cazaquistão e Marrocos?” Em artigo, Rodrigo Ratier fala sobre a  a importância da avaliação e os pontos de debate.

+: PISA: muita importância para uma avaliação questionável

2. Os investimentos em educação

Olhar os investimentos em educação feitos pelos 36 países membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) é uma das maneiras de interpretar o lugar do Brasil diante da realidade global. À primeira vista, estamos entre os países que mais investem em educação, mas essa matemática não é tão simples.

+: Afinal, o Brasil gasta muito ou pouco com educação?

+: A perspectiva histórica da redução de investimentos em educação

+: O impacto do teto de gastos nas políticas de educação

3. Não cumprimento do PNE

Em 2019, o Plano Nacional de Educação (PNE),  política que determina as diretrizes, metas e estratégias para a política educacional até 2024, chegou a metade de seu prazo de implementação. Das 20 metas estipuladas para garantir a qualidade da educação no país, apenas quatro tiveram avanços parciais.

+: Por que o PNE não saiu do papel

+: Plano Nacional de Educação: 90% das metas não serão cumpridas

4. Desigualdades

O nível socioeconômico dos alunos teve impacto no desempenho nas provas. No Brasil, a diferença de desempenho entre aqueles com nível socioeconômico alto e aqueles com nível baixo, foi de 97 pontos em leitura, o que equivale a quase três anos de estudo. Essa diferença superou a média da OCDE, que é de 89 pontos.

Entre as meninas com as melhores performances, cerca de 2 a cada 5 esperam trabalhar em profissões ligadas à saúde. Entre os meninos, 1 a cada 4 esperam seguir as mesmas carreiras.

Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

Quando o assunto é desigualdade de gênero na educação, meninas têm melhor desempenho que meninos em leitura. Elas obtiveram 30 pontos a mais na prova, o que equivale a quase um ano de estudos de diferença em relação aos meninos. Os meninos, no entanto, superaram as meninas em cinco pontos em matemática entre os países da OCDE. No Brasil, a diferença foi maior, de nove pontos a mais para eles, em média.

De acordo com os dados coletados , há diferenças entre os dois grupos na hora de escolher a profissão que vão seguir. Entre os meninos com as melhores performances em matemática ou ciências, cerca de um a cada três espera, aos 30 anos, estar trabalhando com engenharia ou como cientista. Entre as meninas, apenas um a cada cinco esperam o mesmo.

+: Como a desigualdade de gênero se manifesta na educação das meninas

+: Como a diversidade se traduz em desigualdade na escola brasileira

+: A escola brasileira e as desigualdades conforme o território

5. O bem-estar dos estudantes

O PISA entende o bem-estar como um estado dinâmico, relacionado ao funcionamento psicológico, cognitivo, material, social e físico dos estudantes, mas também às capacidades que os jovens têm de ter uma vida feliz .

65% dos estudantes brasileiros relataram estar satisfeitos com a vida, contra 67% da média de países que participaram da pesquisa.  90%  relataram, às vezes ou sempre, sentirem-se felizes; enquanto cerca de 13% dos estudantes disseram estar sempre tristes

No Brasil, 29% dos estudantes relataram sofrer bullying pelo menos algumas vezes por mês. Essa porcentagem é maior que a média dos países da OCDE, que é 23%. A maioria,  85%, diz que é bom ajudar alunos que não podem se defender.

Metade dos alunos havia faltado um dia de aula e 44% haviam chegado atrasados nas duas semanas anteriores à aplicação da avaliação. Entre os países da OCDE, apenas 21% haviam faltado e 48% chegaram atrasados.


https://educacaointegral.org.br/reportagens/o-desempenho-do-brasil-no-pisa/

Pisa: como o desempenho do Brasil no exame se compara ao de outros países da América Latina

 

Escola no Uruguai
Legenda da foto,

Muitos estudantes da América do Sul não conseguem realizar as tarefas mais básicas de leitura

A China passou a ocupar o lugar de Cingapura como o país com a melhor educação do mundo, segundos os dados divulgados nesta terça-feira (03/12) do Pisa, principal exame internacional em educação.

As primeiras posições do ranking nos quesitos matemática, leitura e ciências são dominadas por nações asiáticas, e a mais bem posicionada fora da Ásia é a Estônia, do Leste Europeu.

Mas qual foi o desempenho do Brasil e dos outros países da América Latina na prova realizada a cada três anos pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)?

O ministro da Educação brasileiro, Abraham Weintraub, tinha um palpite há duas semanas: o Brasil ficaria "no último lugar da América do Sul". Mas ele errou. Em parte.

Todos os países latino-americanos avaliados obtiveram classificação inferior à média dos países da OCDE, o chamado "clube dos países mais ricos do mundo" — ao qual Chile e México pertencem, e o Brasil tenta.

O país mais bem colocado da América do Sul na categoria leitura é o Chile, em 43º do ranking geral, seguido de Uruguai e Costa Rica. O Brasil surge na 57ª posição.

gráfico do pisa 2018 ciência

Os alunos chilenos também lideram o grupo latino-americano em ciências (45º no ranking geral) e ficaram em segundo em matemática, segmento liderado pelo Uruguai no subcontinente (58º no ranking geral).

Os estudantes brasileiros, por outro, lado, "disputam" as últimas posições.

Em relação aos países sul-americanos que participaram do exame, o Brasil supera Colômbia, Argentina e Peru em leitura, só é melhor que a Argentina em matemática e empata em último lugar com Argentina e Peru em ciências.

prova pisa 2018 matemática

De modo geral, os estudantes brasileiros pontuaram 413 em leitura, 384 em matemática e 404 em ciências — respectivamente, três, cinco e dois pontos acima do exame anterior, realizado em 2015. O relatório da OCDE enxerga isso como mudanças pouco significativas estatisticamente e não necessariamente indicativas de uma tendência de alta.

Na média, os estudantes do Brasil tiveram pontuação simliar às de países como Brunei, Catar e Albânia.

Para Weintraub, a responsabilidade do resultado negativo do Brasil é "integralmente do PT", que segundo ele não tinha compromisso com o ensino. Ele disse que o governo de Jair Bolsonaro não tem nada a ver com esse resultado.

Na última década, o desempenho de alunos brasileiros em leitura, matemática e ciências teve discreta melhora, mas é considerado "estacionado" no período e ainda distante do salto de qualidade necessário para alcançar outros países de renda média ou alta.

Esta edição envolveu cerca de 600 mil estudantes de 79 países ou regiões (sejam eles membros da OCDE ou parceiros, como no caso do Brasil).

Problemas de leitura

Em sua edição de 2018, os testes do Pisa se concentraram especialmente na avaliação das habilidades de leitura — a medição ocorre por meio de um teste computadorizado de duas horas de duração sobre os três quesitos.

E, de acordo com a OCDE, os resultados sugerem que 1 em cada 4 estudantes nos 36 países-membros da organização não foi capaz de concluir as tarefas mais básicas de leitura, um problema ainda maior entre os países em desenvolvimento.

Além disso, a porcentagem de alunos com baixo desempenho também aumentou em relação a 2009, o último ano em que o PISA se concentrou na leitura.

gráfico do pisa 2018 leitura

Metade dos estudantes brasileiros alcançaram ao menos o nível básico de proficiência em leitura no Pisa, o que significa que eles conseguem identificar a ideia-chave de um texto.

E somente 2% dos jovens brasileiros alcançaram níveis altíssimos de compreensão em leitura, no qual são capazes de entender textos mais longos e ideias contraintuitivas ou abstratas.

Para a OCDE, os problemas de compreensão de leitura podem limitar as oportunidades das novas gerações "em um mundo digital cada vez mais volátil".

"Sem educação adequada, os jovens vão definhar na sociedade afora, sendo incapazes de enfrentar os desafios do futuro mundo do trabalho. A desigualdade continuará aumentando", afirmou o secretário-geral da organização, Angel Gurría, ao apresentar o relatório.https://www.bbc.com/portuguese/brasil-50646695

Por que a educação soviética era uma das melhores do mundo?

 

Evguêni Khaldei/MAMM/russiainphoto.ru
modernização que fez de Moscou uma das duas superpotências mundiais. 
Reformas influenciaram todos os níveis de ensino, do jardim de infância ao superior.

Antes da Revolução de 1917, havia algumas poucas creches espalhadas por todo o 

Império Russo. A situação mudou drasticamente depois que os bolcheviques 

assumiram o poder e começaram a tornar realidade seus slogans sobre igualdade 

das mulheres e a defender sua participação ativa em todas as áreas da vida social. 

Também graças a isso foi desenvolvida uma rede de instalações para crianças em 

idade pré-escolar.

Lênin chamou as creches e os jardins de infância de “surtos do comunismo”. 

Segundo ele, as instalações poderiam “libertar as mulheres, reduzindo e 

eliminando sua desigualdade em relação aos homens, aumentando seu papel na 

produção e vida social”.

Desde meados dos anos 1920 foi criada uma rede de jardins de infância no campo 

e nas cidades. Em 1941, dois milhões de crianças soviéticas frequentavam creches 

e jardins de infância. Em 30 anos, esse número catapultou para 12 milhões.

Em 1959, o governo soviético introduziu um novo sistema que conectava creches e 

jardins de infância. Assim, o Estado cuidava das crianças desde os dois meses até os 

sete anos de idade, quando já poderia iniciar os estudos na escola.

Antes da Revolução Bolchevique, no final do século 21, 21% da população era 

analfabeta. Os soviéticos lançaram uma campanha chamada “Likbez” 

(Liquidação do Analfabetismo) e criaram uma rede de repartições por todo o país. 

O caminho se mostrou longo: em 1926, apenas um milhão de pessoas haviam sido 

alfabetizadas.

O avanço se deu mesmo em 1930, quando foi introduzido o ensino primário 

universal. Em 1939, cerca de 40 milhões de pessoas adquiriram habilidades básicas 

de leitura e, no início da década seguinte, o analfabetismo em massa já havia sido 

resolvido.

Ainda assim, as pessoas que viveram na época se lembram que, após o decreto sobre 

educação universal, era difícil para as escolas absorver todos os novatos. Os alunos 

tiveram que ser divididos em três turnos: os mais novos começavam as aulas às 8 da 

manhã e terminaram ao meio-dia. Depois vinha a vez de outro grupo de estudantes, 

e os mais velhos frequentavam as aulas entre 6 e 10 da noite, por vezes até as 11.

As primeiras décadas de existência da URSS foram um período de experimentos 

educacionais – entre os eles, o da história, que era ensinava em meio a outras 

ciências sociais. Foi somente em 1934 que a disciplina foi “reabilitada” e retornou 

às escolas.

A Grande Guerra Patriótica afetou severamente a infraestrutura educacional. 

Foram necessários anos para reparar os danos causados ​​pela invasão de Hitler. 

As autoridades fizeram um grande esforço para aumentar o nível do ensino médio. 

Passou-se a dar mais atenção aos alunos individualmente, e professores ganharam 

diversos benefícios.

Em meio à Guerra Fria e à corrida tecnológica, o Estado soviético passou a dar mais 

atenção às ciências exatas, especialmente matemática. No final da década de 1950 

surgiram escolas especiais de matemática, e ex-alunos desses institutos foram 

responsáveis pelas diversas conquistas do programa espacial soviético na época.

Além das escolas comuns, havia também na União Soviética uma rede de clubes 

especiais nos quais os alunos podiam assistir gratuitamente a aulas e estudar um 

grande número de matérias: de fotografia ao design aeronáutico.

Outro elemento inseparável da escola soviética são os pioneiros, a versão soviética 

dos escoteiros. Embora suas atividades tivessem certo ar ideológico, eles 

essencialmente se dedicavam a algum tipo de voluntariado: coleta de papel ou peças 

de metal usadas para reuso. Também ganhavam experiência na gestão das tarefas e 

no cuidado com idosos. 

A URSS dedicou ainda recursos extensivos ao desenvolvimento do ensino superior. 

Logo após a Revolução, os bolcheviques estabeleceram dezenas de novas 

universidades.

Nos anos 1930, surgiu mais uma leva de institutos de ensino, uma vez que o 

programa de industrialização em larga escala exigia novos especialistas. Mais tarde, 

a partir dos anos 1950, houve uma nova onda de criação de instituições e 

universidades. Já em 1975, havia quase cinco milhões de pessoas cursando ensino 

superior na União Soviética.

Alguns desses estudantes eram pessoas de países em desenvolvimento, amigos da 

URSS. Em 1960, as autoridades soviéticas fundaram a Universidade da Amizade 

dos Povos. O objetivo declarado dessa instituição era oferece uma oportunidade aos 

jovens, sobretudo os de origem não privilegiada, de locais como América Latina, 

Ásia e África.

Cursar ensino superior na URSS não significava apenas adquirir conhecimento, mas 

também fazer algum tipo de trabalho manual. Durante o verão, os estudantes 

formavam as chamadas brigadas estudantis de construção, que participaram de 

algumas obras importantes para a economia soviética. A ideia era proporcionar aos 

alunos uma ética laboral baseada justamente no respeito ao trabalho.

https://br.rbth.com/historia/82768-por-que-educacao-sovietica-melhores-mundo

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Documentário - Torre de Marfim: A crise da universidade Americana

 


O ensino superior nos Estados Unidos vale a pena sob uma perspectiva de seus custos? Diversas instituições são avaliadas: desde Harvard até universidades públicas em crise financeira. Os empréstismo feitos para estudantes passam de 1 trilhão de dólares no país. As universidades, seus custos, a importância e os interesses são questionados nesse documentário.

Ao invés de uma apologia das universidades americanas, o documentário Torre de Marfim trata dos problemas das universidades e dos estudantes universitários americanos. 

O filme mostra também as estratégias para superar esses problemas, desde marketing agressivo e promoção de festas até o uso massivo de tecnologia e experiências alternativas à universidade tradicional.